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Sobre leões e cordeiros

13/07/2010

Foto: UOL

Paulo Finatto Jr.
paulofinattojr@hotmail.com

Bruno Fernandes das Dores de Souza não é uma vítima do destino. Como os seus pais acreditavam não ter condições de criar o menino, que nasceu em uma área pobre de Belo Horizonte, o bebê foi dado à avó paterna. Durante a infância, carregou e descarregou caminhões e vendeu picolé. Ele cresceu sem conhecer os verdadeiros pais. A redenção da miséria, no entanto, veio pelo futebol. O menino favelado se tornou o adulto rico. Como jogador do Atlético-MG, despontou em 2005. O goleiro – que se transferiu para o Flamengo em 2006 – venceu o Campeonato Brasileiro em 2010. No pacote do sucesso, além do salário de R$ 200 mil, mulheres e escândalos.

Não há como afirmar que a história de Bruno é diferente da trajetória dos maiores craques do país. O jornalismo esportivo está recheado de relatos similares. Diariamente, jogadores surgem e driblam todas as estimativas desgraçadas para construir um patrimônio financeiramente invejável. De Pelé a Ronaldo. De Vagner Love a Adriano. De Douglas Costa a Walter.

Entretanto, há na carreira de Bruno uma mancha que nunca será apagada. O goleiro deixou a lista de concentrados para fazer parte da relação de suspeitos por cometer um assassinato brutal. Da camisa número um do Flamengo para vestir o uniforme da penitenciária sob a ficha número 326944 da polícia mineira. De qualquer forma, Bruno Fernandes não é o primeiro jogador que deixa a seção de esportes rumo às páginas de polícia. No entanto, é o caso que mais evidencia a fragilidade das grandes estrelas do futebol brasileiro. Os ídolos de uma massa jovem – que costumam estar acima do bem e do mal – são, na verdade, pessoas comuns.

Foto: Agência Estado

Na semana passada, o goleiro Bruno estampou duas das mais importantes revistas semanais de informação do país, Veja e Istoé. O seu rosto, no entanto, ainda preenche minutos na televisão e páginas na internet. O desaparecimento da amante do jogador, Eliza Samudio, revelou os detalhes podres que habitam o reino de algumas figuras milionárias do futebol.

“Sexo, violência e futebol. Uma bela jovem. Um triângulo amoroso com um astro dos gramados. Gravidez, ciúme, ameaças e o desaparecimento sem pistas”, Istoé.

Embora a história ainda não seja comprovada pela polícia, Eliza Samudio – uma modelo de pouco (ou nenhum) sucesso – queria que Bruno assumisse o filho, supostamente do jogador, e que pagasse uma pensão à criança. Ele, entretanto, queria distância dela e do menino. No passado, Eliza e Bruno se conheceram durante um churrasco na casa do atacante Adriano, então no Flamengo. Bruno já era casado com Dayanne de Souza – mãe dos seus dois filhos. Eliza – que tentava a muito custo o reconhecimento da paternidade por parte do jogador – foi seqüestrada, agredida e, com uma arma na cabeça, obrigada a ingerir uma bebida abortiva em 2009. Ela não deixava de procurar Bruno. Ele queria que Eliza desaparecesse da sua vida.

“Eu não quero esse filho. Eu sou capaz de tudo para você não ter essa criança. Você não me conhece e não sabe o que sou capaz. Eu venho da favela”, depoimento de Eliza, em outubro de 2009, relatando as ameaças do goleiro.

No currículo do jogador, uma sequência de confusões maior do que a relação de títulos conquistados. Em 2004, a sua passagem pelo Cruzeiro foi interrompida precocemente quando tentou agredir um colega. No ano seguinte, Bruno foi detido pela polícia por se envolver em uma briga com torcedores. Em 2008, duas garotas de programa denunciaram, por agressão, jogadores do Flamengo que participavam de uma festa no sítio do jogador. No seu último ano no Rio de Janeiro, brigou com Petkovic no vestiário e discutiu com o ex-treinador Andrade. Com a prisão decretada, o goleiro é o principal suspeito/acusado pelo sequestro e desaparecimento de Eliza. De acordo com a polícia, Bruno seria o mandante do assassinato.

Embora a fama e o dinheiro sejam consequências naturais do futebol, ambos não garantem um final feliz, sobretudo para uma pequena parcela de jogadores profissionais. O jornalismo esportivo que idolatra diferentes nomes do futebol brasileiro é o mesmo que coloca o ponto final em carreiras que não vingaram. No entanto, o ciclo de vitórias do (ex)goleiro do Flamengo – que sempre repercutiu mas páginas dos cadernos de esportes – se encerrará diante da sua maior derrota. Dessa vez em outra editoria.

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