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Na última raia

09/07/2010

Na década de noventa - o Hipódromo do Cristal lotado durante o Grande Prêmio Bento Gonçalves. Foto: Arquivo Jockey Clube

Maurício Cauduro & Vinícius Fontana
mauriciocauduro@hotmail.com – vhfontana89@hotmail.com

Um dos esportes mais tradicionais do estado encontra-se em estado de abandono. O Hipódromo do Cristal, obra prima do arquiteto uruguaio Roman Fresnedo Siri, inaugurado com pompa e honra em 1959, sofre com as ações do tempo e a falta de ação dos homens. No entanto, mais do que apontar culpados, é necessário compreender as mudanças sociais que levaram as pessoas a se desinteressar pelo turfe.

Um dos homens mais prestigiados dentro do Jockey Clube do Rio Grande do Sul, a entidade centenária que centra as atividades ligadas ao hipismo no estado, Deuclides Palmeiro Gudolle, presidente do JCRGS de 2006 até o ano passado, falou sobre as medidas tomadas na sua gestão para a melhora da infraestrutura do prédio histórico (que inclusive é tombado pelo patrimônio municipal) e sobre as negociações realizadas com a empresa Multiplan, dona do Barra Shopping Sul, vizinho do Hipódromo.

Qual é o número aproximado de adeptos do turfe no Rio Grande do Sul?
Gudolle – O Jockey Clube do Rio Grande do Sul tem 2.400 sócios. Existem outros Jockeys Clubs no interior em atividade. O Jockey Club de Pelotas tem um movimento surpreendente sábado e domingo. Acredito que existam mais de 20.000 turfistas e aficionados no Rio Grande do Sul.

Que medidas o Jockey Club está adotando para restaurar os prédios tombados?
Gudolle – O JCRGS instituiu a Associação dos Amigos do Jockey Club com o intuito de receber doações de órgãos governamentais e de empresas, a fim de propiciar a restauração dos pavilhões tombados. Na minha gestão, entramos em contato com as Secretarias de Turismo e a de Cultura no sentido viabilizar a nossa inserção no Projeto Documenta, o mesmo que restaurou o Clube do Comércio de Porto Alegre. Além disso, o Jockey possui um contrato de dez anos com a empresa espanhola CODERE Entretenimentos, para transmissão online de corridas nos Estados Unidos, Europa, Ásia, África do Sul e Oceania.

A visão da pista e das arquibancadas do Hipódromo do Cristal - ao fundo o vizinho Barra Shopping Sul

Quais os fatores que o senhor acredita que levaram a decadência do turfe no RS?
Gudolle – Decadência é um termo forte, mas a diminuição do número de aficionados é uma tendência mundial. No Rio Grande do Sul, até o final da década de sessenta, havia somente dois tipos de jogos: bilhetes da loteria federal e o turfe. A demanda era dividida somente entre essas duas ofertas. Para jogar no Jockey o apostador deveria conhecer os tipos de apostas das mais diversas: pules de vencedor, placê, dupla, duplo e betting. A partir dos anos setenta, iniciou a loteria esportiva, cujas apostas eram de fácil compreensão, sendo que o mesmo não ocorria no turfe. Houve uma debandada geral, pois o futebol está arraigado em nossos hábitos.

Há parcerias com outras entidades a fim de manter a instituição financeiramente?
Gudolle – Como o turfe é deficitário em todo o mundo, não existe empresa com finalidade lucrativa que se torne parceira. A própria Rede Globo, no tempo do Roberto Marinho, deixou de publicar uma página diária do turfe no jornal. Observem a cultura nacional quando se trata de jogo, apostas ou algo que possa trazer compulsão.

As baias onde são preparados os cavalos antes das corridas

O senhor está a par da negociação com a Multiplan a respeito da venda da Vila Hípica?
Gudolle – Preliminarmente, cabe informar que a Vila Hípica não foi vendida. Tudo que é vendido que não se tem possibilidade de investimento, está perdido. A negociação com a Multiplan trata-se da retirada do mercado de negócios da área que compreende a Vila Hípica, de cerca de 166 mil metros quadrados. Após a liberação da área, a Multiplan garante alugueis até dois anos a partir da entrega da obra. A partir daí, o Jockey irá administrar seus alugueis. Portanto, não é venda, trata-se de permuta.

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