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A década em que aprendemos a chorar

08/07/2010

Ghiggia, aos 34' do segundo tempo e o título uruguaio no Maracanã

Israel Dutra & Rodolfo Mohr
israeldutra@gmail.com – rodolfo11@gmail.com

É verdade que o nosso país tem diferentes datas magnas. A mais usual e arbitrária é a que define como marco fundador do Brasil a chegada de Cabral, em 1500. Outros, mais prudentes, escolheram o ano de 1822 – a independência do Brasil – como referencial. No entanto, a maior parte dos progressistas elegem a proclamação da República como o verdadeiro “ponto de ruptura” – o ano zero para Brasil.

Polêmicas historiográficas. Como não há consenso, poderíamos acrescentar uma outra data: 1950. A primeira vez que o Brasil inteiro se enxergaria como uma unidade? O começo da popularização do futebol como uma das maiores instituições do país? Essas perguntas – e suas respostas – são controversas. A única certeza é que 1950 é o ano em que toda a nação brasileira chorou. Um país para existir como nação precisa sofrer derrotas. O uruguaio Obdúlio Varela ajudou a garantir a nossa unidade nacional.

Em 1950, foi o uruguaio Varela que levantou a taça no Brasil

A década de cinquenta começou com a reinvenção da Europa após a segunda grande guerra. Na mesma época, o Brasil experimentava os primeiros anos democráticos. Eurico Gaspar Dutra era o presidente pós-ditadutra do Estado Novo. Getúlio Vargas voltou nos braços do povo, saiu da vida e entrou para a história. Juscelino Kubitschek tornou-se célebre por prometer desenvolver o Brasil. O Rio de Janeiro desfrutava anos de cidade maravilhosa. Entretanto, a capital do Brasil foi palco da nossa tragédia grega, operada por pés uruguaios.

Mas afinal, quem era aquele grupo modesto sob o uniforme celeste? Uma pequena pátria em chuteiras, de um país que estava no auge do seu desenvolvimento. Certamente, uma verdadeira potência do futebol. O Uruguai foi o anfitrião da primeira Copa do Mundo, em 1930, e fez o dever de casa: deixou a taça em Montevidéu. Donos da tradição, os uruguaios comemoraram em pleno Maracanã o seu tetracampeonato. Sim. Os nossos vizinhos contabilizavam a conquista de 1930 e as medalhas de ouro nas Olimpíadas de 1924 e 1928. O esquadrão uruguaio liquidou a honra do goleiro Barbosa e fez o país chorar.

Com dois ou quatro títulos, o fato é que a conquista uruguaia correspondia a outro momento da história daquele país. Em 1950, o Uruguai era conhecido como a Suíça da América: com altos índices de escolaridade e de saúde. O país de hoje, por outro lado, enfrenta dificuldades e crises – vive subjugado aos interesses das grandes e médias potências. De qualquer forma, os livros de Benedetti e Galeano colonizaram positivamente o mundo, que mudou definitivamente depois daquela tarde.

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