Skip to content

O Brasil é a pátria de chuteiras?

30/06/2010

Foto: GloboEsporte.com

Larissa Winge Piazzi
larissawpiazzi@gmail.com

Na semana da abertura dos jogos da Copa do Mundo, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul organizou uma palestra sobre o futebol no país. Na quarta-feira, dia 9 de junho, o professor do Departamento de História, César Guazzelli, falou sobre a origem e as perspectivas do esporte e tinha como título principal “Brasil na Copa do Mundo: é a pátria de chuteiras? Futebol e Identidade Nacional”.

Guazelli abriu a palestra observando que o futebol não é um tema muito tratado nas áreas de história e antropologia. Criticou o descaso afirmando que mesmo sendo tão importante para entendermos a identidade do nosso país, é recente o uso do esporte como objeto de estudo.

Em seguida, com muito bom humor e contando piadas, o professor fez um resumo da história do futebol no nosso país. Afirmou que é difícil mapear a origem do esporte no Brasil, pois este entrou por diferentes lugares simultaneamente. Até os anos 30, o futebol teve um caráter excludente e nessa época não se podia pensar em clubes populares.

A partir do governo de Getúlio Vargas, é criada uma perspectiva nova de construção da nação e da identidade brasileira. O mestiço ganha maior prestígio, o samba vira uma representação da música brasileira e o futebol passa ser o esporte nacional. Inicia-se então a idéia de profissionalização do futebol e em 1938 a seleção brasileira disputa a Copa na França. Em 1950, o Brasil já passa para a população a idéia de um país que pode ser de primeiro mundo e a Copa Mundial é organizada aqui.

Para o palestrante, devemos desconfiar dos estereótipos, pois assim como atribuímos a nós a tradição do futebol, os uruguaios e os argentinos atribuem à suas identidades. Guazelli acredita que essa identidade assumida pode acabar criando um caráter de autoridade.

César Guazelli mostrou-se preocupado com a exclusão que vem acontecendo no futebol. Para ele, o futebol popular não se encaixa com os modelos europeus do esporte e a tentativa de manter um jogador aqui no Brasil com os padrões da Europa é impossível, pois nossos clubes têm que desembolsar muito dinheiro e mesmo assim muitas vezes não conseguem. O palestrante também acredita que os clubes estão a caminho do interesse que não é do povo, mas sim da mídia.

Guazelli afirmou que as reformas e construções de estádios que vêm sendo exigidas para a Copa do Mundo de 2014 tornam o futebol ainda mais excludente e acessível só a classes mais altas. Os brasileiros não vão assistir a Copa porque não vão ter dinheiro para assistir – concluiu.  Expressando sua decepção com o futebol no Brasil, o professor de História encerrou a palestra dizendo “Eu vou torcer pelos times africanos”.

Anúncios
No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: